Superman: sorriso no rosto e coração quentinho!
O novo Superman finalmente chegou aos cinemas, carregando o peso enorme de inaugurar a nova fase da DC na telona. E ninguém carrega esse peso mais do que James Gunn, diretor e roteirista, além de chefão do DC Studios.

Ao final da exibição, fica claro que Gunn e todos os envolvidos levaram a tarefa a sério. A produção apresenta tudo que é a essência do herói: sua bondade, convicção e, principalmente, humanidade, misturando elementos de diversas eras dos quadrinhos para criar uma versão do personagem (e seu universo) que consegue ser ao mesmo tempo atemporal e totalmente envolvida com as questões mundiais atuais. Sim, há muita política na trama. Se você acha que ali não é o lugar disso, sinto muito, você é apenas ignorante. Usando países fictícios para refletir o tom vilanesco do mundo real, o longa se comunica mesmo com quem não conhece nada sobre o Universo DC.

David Corenswet está ótimo como Superman. Carismático, o ator consegue incorporar os ideais do primeiro dos super-heróis, com camadas raramente aprofundadas, que geram conflitos mesmo com as pessoas mais próximas a ele. Novamente, é um herói muito humano, um tom acertado. Para quem nunca leu as HQs dele, sempre ficou uma imagem de totalmente alienígena, mas a verdade é que o personagem nasceu em outro mundo, mas teve toda sua vida na Terra. Da década de 1980 para cá (e em menor grau até mesmo antes), se enraizou em sua mitologia a importância dos princípios ensinados por seus pais adotivos terrestres. Sai o messias enviado para salvar o mundo, entra o homem que aprendeu a ajudar a todos através do exemplo.

Claro que nem tudo é perfeito. Faltou um pouco mais de Clark Kent. Conrenswet manda bem na dualidade do personagem e há boas cenas de Clark com os pais e Lois Lane, mas faltou mais espaço para vermos o repórter interagindo com seus colegas do Planeta Diário. Diga-se de passagem, o núcleo do jornal também está ótimo, com exceção de Ron Troupe, que quase passa despercebido. Skyler Gisondo é um Jimmy Olsen perfeito.

A Lois Lane de Rachel Brosnahan também é uma das melhores versões da personagem. Não só pela incrível química que tem com Corenswet, mas também por ser tratada quase como coprotagonista, botando a mão na massa e fugindo totalmente do clichê da mocinha em perigo. Pelo contrário, em muitos momentos a repórter dá um choque de realidade que ajuda o Superman a tomar decisões e entender os próprios atos.

Nicholas Hoult é um Lex Luthor vil, num equilibro perfeito de supervilão caricato e perigoso bilionário da vida real. Luthor já teve ótimas versões no passado, mas é um personagem difícil de retratar justamente porque tem muitas nuances, versões totalmente diferentes entre elas nos quadrinhos, do cientista louco ao supervilão de armadura, do empresário sem escrúpulos (eu sei, meio redundante) ao ex-amigo invejoso. E, com intensidades variáveis, quase tudo isso está nesta versão, provavelmente uma das mais desprezíveis já apresentadas, capaz de atos de genialidade e atrocidade no mesmo nível.

Uma preocupação que todo mundo teve desde os primeiros anúncios, bem justificável, para ser sincero, era a presença de muitos personagens, principalmente outros heróis. Felizmente, isso não é um problema. O roteiro e direção são dinâmicos o bastante para quase todo mundo ter seu espaço, sem nunca passar por cima do protagonista. O ritmo do filme é muito parecido com o de uma revista mensal de quadrinhos. Os primeiros minutos podem passar a impressão de “pegar o bonde andando”, mas isso é feito de maneira positiva. Realmente, tudo já está em andamento quando a exibição começa, mas isso não torna nada confuso, apenas ajuda a deixar toda a produção com mais cara de super-herói, deixando de lado o “sombrio e realista” artificial e abraçando a essência de um gibi seriado, com várias coisas acontecendo ao mesmo tempo, mas da época em que se pensava em novos leitores, sem complicar demais.

Esse direcionamento se reflete também nos visuais. Tudo é colorido, bonito e vivo. É uma verdadeira explosão cromática em constante expansão. Dentre os outros heróis, Guy Gardner (Nathan Fillion) beira a perfeição, com uma representação assustadoramente fiel da versão mais conhecida e apreciada deste Lanterna Verde. Mas o herói mais importante dentro da trama é o Sr. Incrível (Edi Gathegi), também muito bem adaptado, inclusive com uma empolgante cena de ação própria. Metamorfo (Anthony Carrigan) está visualmente perfeito, com seus estranhos poderes nunca fugindo dessa estranheza, um exemplo de como o filme não tem vergonha de suas originais quadrinísticas. E, claro, temos o adorável Krypto, que a todo momento arrancou suspiros e risadas da plateia. A única pouco aproveitada é a Mulher-Gavião (Isabela Merced), cuja personalidade não é desenvolvida e pouco faz na trama. Justo seu único (e breve) momento de importância é num ato que não condiz com a personagem.

Ainda que tenha alguns poucos defeitos, Superman é um filme extremamente divertido, sem cair na galhofa (outro medo de algumas pessoas). Funciona bem de forma independente, mas é ainda mais forte como produção apresentando um novo universo, que se mostra rapidamente coeso e nada complicado. Há apenas um elemento nas origens do protagonista que é capaz de alimentar o ódio dos fãs ou servir de combustível para quem apenas gosta de criticar. E mesmo isso é direcionado a uma maior humanização do personagem. Incomoda, mas serve a um bom propósito. Resumindo: o novo Universo DC chegou em grande estilo, tirando lágrimas de alguns, aplausos de muitos e nos deixando ansiosos pelos próximos passos.
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