FilmesResenhas

Mais emoção em Top Gun: Maverick!

O Top Gun original é um clássico do cinema de ação. Fruto de uma época em que o machão americano era o padrão, ao ponto de uma cena de vôlei na praia, hoje considerada uma das passagens homoeróticas mais marcantes do cinema, ter sido exaltada como carimbo de masculinidade. Era uma época mais vazia: não existia uma crítica ao patriotismo descontrolado, nem um pouquinho de desenvolvimento ou profundidade nos personagens. A ação mandava soberana e isso funcionou muito bem. Agora, Top Gun: Maverick chegou pegando carona no bonde da nostalgia, mas não se limitando a isso.

Com tantos filmes de ação genéricos nos últimos anos, é fácil esquecer que Tom Cruise é sim um bom ator. O grande problema é que ele raramente atua, se limitando a repetir o mesmo papel. Aqui, ele quase faz isso, mas o desenvolvimento de seu Maverick, mais velho, carregando traumas e decisões erradas, dá um pouco mais de peso ao personagem. É um pouco raso, mas ainda assim mil anos luz à frente do que foi feito no filme original.

Depois de décadas desobedecendo ordens e nunca indo adiante em sua carreira naval, Maverick agora é professor na escola Top Gun. Ele não gosta da posição, não esconde isso de ninguém, mas se esforça para ensinar seus alunos a cumprir uma missão com mínimas chances de sucesso. A carga dramática vem da presença de um dos alunos, Rooster (Miles Teller), filho do falecido parceiro de Maverick. Não bastasse Maverick ainda carregar a culpa pela morte do amigo, a relação entre ele e Rooster está péssima devido a uma decisão que Maverick tomou no passado. Se por um lado essa relação cria uma dinâmica diferente e produtiva no longa, o mesmo não pode ser dito do relacionamento de Maverick com Penny (Jennifer Connelly). O novo interesse romântico não acrescenta nada ao filme, que ficaria bem melhor sem ele, não perdendo tempo em cenas que não levam a nada.

Assim como no original, o destaque são as cenas com os jatos em ação, misturando cenas reais e bons efeitos especiais em sequências emocionantes, muito bem realizadas. A emoção fica dividida entre a ação empolgante e a participação de Val Kilmer de volta ao papel de Iceman, numa atuação que é pura homenagem.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *